
Ainda me lembro daquelas ruas, eu, boêmio, solitário e todas aquelas ruas só para as minhas pernas forasteiras olharem e degustarem delas – quase silenciosas – onde o ar tinha efeito e gosto diferentes. E também recordo dos pés passando ao longe, lentos e supérfluos.
Que espaços aquelas avenidas e adjacências tinham em linha reta ou quase assim. E onde pude ver, quase vislumbrado, a valsa dos descalços em ritmo de encantamento, naquele pré-carnaval antecipado. Meus pensamentos se sentiram em alto libidinosos e fizeram questão de guardar aquele momento pra que a colocasse no papel e que um dia ele te encontre.
Voltei àquelas ruas por todas as noites que passei por lá só para lembrar da primeira na qual só pude saber seu nome, na qual você se foi enquanto eu só pude olhar de longe, mas sorri.
Eu viajo com os pés no chão. Fecho os olhos e apareço em outro lugar toda noite. Tenho idéias tão loucas que só na minha cabeça já me fazem delirar. Consigo sentir esse prazer na ponta da língua, nos meus ouvidos e na pele arrepiada.
Quem me vê nesse transe lúdico deve ter as mais diversas concepções e quem disse que eu me importo? Sou um louco assumido, viajo a toda hora, minha cabeça é cheia de países, sonhos e pessoas, são muitas pessoas e loucuras. Vivo munido de toda fertilidade de pensamentos, imaginações. Meus olhos fechados são meu passaporte.