domingo, 3 de abril de 2011

Eu e Você


E então tu chegaste, cheia de brilhos, de cheiros, de sotaques e um jeito inigualável. Trocamos sorrisos, olhares e algum gosto incomum. Tuas palavras ainda ecoam em meu pensamento e não consigo te esquecer. Da tua cor, da tua pele e o toque que me fez tremer.

Consigo sentir, talvez até com a mesma intensidade, teus cabelos enrolados em minhas mãos. Cachos perfeitos, macios, deslizando por entre os dedos. O hálito quente sussurrando no meu ouvido. Palavras sem sentido, as quais não sucumbi. Está gravado em minh’alma, tão profundo, imponente como se nem que quisesse poderia tirar. Sinto teu cheiro no meu corpo, nas minhas mãos, sinto tua pele rente a minha, sinto o calor emanando dela, te sinto com o mesmo tino. É como se estivesse aqui me olhando, com aquele olhar penetrante, tão cabuloso, que não consigo me despistar dele. Sinto nossos corpos comprimidos e a vontade louca de se fundir. Incorporados como um só. Os suores escorrendo por entre nós dois, o peito arfante, a dor. Algo tão forte, mas tão cruel. Tua voz rouca ecoa aqui dentro, pedindo mais, querendo mais. Teus lábios doces encostados nos meus, a saliva percorrendo meu peito, as mãos, o desejo. Tudo está cravado em mim.

E neste momento onde estará? Pregando o mesmo desejo na alma de um outro qualquer. Ah, mulher... Se soubesses o quanto machuca não faria tal coisa novamente. Eu consigo ver com tanta perfeição teu sorriso lascivo, nossos olhares e a vontade surgir. Posso te sentir me tocando, tua força a me puxar para ti com tamanha euforia. Que fez de mim eu não sei. Seria capaz de encontrar-te agora neste instante, em qualquer lugar deste meu mundo, e entrar por tua roupa, passar por entre as pernas, os seios, beijar teu pescoço. Sentir tua pele arrepiada e tua mão em minha nuca me pedindo pra ficar. Mas onde estará?

Eu andava por aí, nem sei se perdida, mas andava. Sem rumo ia em direção do vento – rede moinho . Sabia que se eu deixasse por aqui os ventos ainda seriam capazes de jogá-los aos meus pés e invadir minhas entranhas, arranho, lanho, eu me descabelo, prometo o mundo, um filho, os deixo de quatro e escapo antes do crepúsculo chegar, levanto e sigo o vento.

Deixei provar meu sexo, mas não minha vida. Provar quem sou? Me reprovar por cair aos pés das camas alheias? Só provo aquele que me caia nas graças – pra ele desgraça – e me dê gargalhadas. Me desgarro sempre para seguir meus próprios passos, ir em frente com minhas próprias indecisões, me perder sozinha e me achar nos braços iludidos de outrem.

Mas se realmente precisa saber quem sou eu, onde eu estou comece a me procurar onde eu só poderia estar. Faça intervenções para que não me debruce em mais ninguém, que teus preceitos e angústias não existam mais. Que a falta que te faço também se extinga e assim você me possua por inteiro, rasgue minhas roupas e me dispa com ardor, selvagem como mereço, como te pedi. Me procure, me espere, pois estou eu no único lugar onde ainda não me procurou, onde nem mesmo a vida poderá me tirar de você, estou na sua imaginação e somente lá estaria, mas ainda pode me deixar escapar para outros laços.

5 comentários:

danilo disse...

Lembranças...

Tati disse...

Foda... rs
Foi a primeira palavra que me veio!

Taiana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulinhaaa disse...

em meio a tantas palavras.. fico sem...

Lana disse...

tudo na medida certinha....bela parceria....vcs sao incriveis!....sao e continuarao sendo minha dose diaria do meu vicio que eh ler se continuar(em) a escrever assim ...rs...